Todos os povos antigos conheceram, além do aspecto exterior ou formal da religião e das práticas sagradas, um ensinamento paralelo interior ou esotérico que se dava unicamente aos que se mostravam moral e espiritualmente dignos e maduros para recebê-lo. (…) Esta Doutrina Interior – esotérica e oculta – é essencialmente iniciática, porquanto se alcançará unicamente por meio da iniciação, ou seja, ingressando a um particular estado de consciência (ou ponto de vista interior), pois só mediante ele pode ser entendida, reconhecida e realizada.
A Doutrina Interior foi sempre e continua sendo a mesma para todos os povos e em todos os tempos. Em outras palavras, enquanto para os profanos (os que permanecem diante ou fora do templo, ou seja, sujeitos à aparência puramente exterior das coisas) houve e há diferentes religiões e ensinamentos, em aparente contraste umas com as outras, para os iniciados não houve nem há mais que uma só e única Doutrina, Religião e Ensinamento: a Doutrina Mãe Eclética ou Religião Universal da Verdade, que é Ciência e Filosofia, ao mesmo tempo que Religião.
Deste ensinamento iniciático, esotérico e universal, comum a todos os povos, raças e tempos, das diferentes religiões e das distintas escolas constituíram e constituem um aspecto exterior mais ou menos imperfeito e incompleto. E as lutas religiosas sempre caracterizaram aqueles períodos nos quais pela imensa maioria de seus dirigentes, foi perdida de vista aquela essência interior que constitui o Espírito da religião, compreendendo-se unicamente o aspecto profano ou exterior. Pois, o fanatismo sempre foi acompanhado da ignorância
Aldo Lavignini – Manual do Aprendiz
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